segunda-feira, 4 de março de 2013
O dom de ser infinito…
Por muitas vezes a noite acaba por ser a minha melhor companheira. O silêncio que ela traz mesmo em meio a selva de pedra na qual ela resolve surgir é simplesmente fascinante.
Contemplar as estrelas que apesar de serem poucas nessa noite na qual redijo estas breves linhas me faz pensar na imensidão em que vivemos e que, por diversas vezes, não nos damos conta. Em meio as luzes dos longínquos astros que brilham no firmamento as vezes contrastando com as aeronaves que não cessam de cruzar os céus percebo o quão pequeno sou em meio a imensidão da criação.
Tento evitar tais pensamentos pois podem me fazer entrar em parafuso ao imaginar que sou apenas um misero grão na poeira do universo. Mas ao mesmo tempo que percebo que não sou nada diante dessas imensas grandezas que compõe este universo, percebo que dentro desse ser insignificante o Criador ousou colocar uma sede constante do infinito.
É engraçado pensar que ansiamos por algo que não nos é conhecido. Geralmente desejamos algo que vemos, ou que já tivemos posse em algum momento de nossa vida e acabamos por perder. Agora como nós em nossa finitude podemos almejar o infinito? Não tenho pretensões teológicas ou filosóficas, apenas pretensões de exprimir aquilo que trago no mais íntimo do meu ser.
Essa vontade de ser infinito é que me leva a escrever, a brincar com as palavras e perceber que inúmeras são as suas combinações fazendo assim que eu possa ser, por participação, infinito junto com elas. Unir a minha finitude à possibilidade de infinito residente nas palavras me faz perceber que o ato de contemplar aqueles que estão muito longe, ou que são muito maiores do que eu, não me faz pequeno, pelo contrário, me faz grande, imenso!
Pois assim posso traçar trilhas com palavras e versos que me levam a contemplar esse universo de uma forma sempre nova, sempre diferente. Uma vez unido ao infinito residente nas palavras não existe universo que me faça sentir menor, mas sim uma criação divina que me convida a, através dos versos, tentar conhecê-la permitir que os outros a conheçam.
Assim sigo, traçando os meus versos para muitos sem sentido, mas que me permite experimentar um pouquinho do que é ser infinito!
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